Terça, 09 October 2018 11:39

Atriz Esther Goes se apresenta em Matão Destaque

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Capa espetaculoPeça teatral será no dia 31 de outubro na Casa da Cultura

 

A atriz Esther Góes e os atores Ariel Borghi, Marcelo Reis, Jean Dandrah e Leandro Bitar apresentarão o espetáculo teatral ‘A Estrada de Wolokolamsk’, de Hiner Muller, sob direção de Esther Góes e Ariel Borghi. A peça será realizada em Matão no próximo dia 31 de outubro no auditório da Casa da Cultura. A realização é uma parceria entre Prefeitura de Matão e Secretaria de Estado da Cultura, por intermédio do Circuito Cultural Paulista e Associação Paulista dos Amigos da Arte (APAA). A censura é para 16 anos. Os convites devem ser retirados antecipadamente e podem ser trocados por um litro de leite ou um quilo de alimento não perecível.

O olhar de Heiner Müller não é cínico, apenas evita o envolvimento. A obra e, sobretudo, ‘A Estrada de Wolokolamsk’ situa-se no interior de uma guerra: a do real e do irreal. O real é o que criamos a partir do que acreditamos e sonhamos. Depois, pode nos submeter e teremos que sonhar outros sonhos e torná-los novamente realidade. Os sonhos realizados de cada indivíduo podem se tornar pesadelos, tais como o autoritarismo e a submissão, podendo liquidar a capacidade de pensar e de ser. Assim, para Heiner Müller, a realidade da Alemanha após a Segunda Guerra adquire este aspecto de sonhos que se substituem (Nazismo, Socialismo Soviético r Capitalismo), a partir do fracasso de cada um deles, sem exceção.

De acordo com a produção do espetáculo, a escolha deste texto ocorreu por conta da contribuição à compreensão dos dilemas e contradições do tempo, com ênfase especial ao autoritarismo presente nas relações humanas. As questões do século XXI ampliam e aprofundam as vividas no século XX. "A Estrada de Wolokolamsk" exemplifica, por meio dos seus cinco quadros, grande parte dessas questões. O espetáculo aborda fatos que historicamente relacionam a II Guerra Mundial no front russo, dominado pelo stalinismo brutal, e o período de existência do regime socialista da República Democrática Alemã (RDA), em que o Muro de Berlim foi o ápice da crescente repressão que determinou o desaparecimento.

O autor, segundo a produção da peça teatral, oferece um ponto de vista privilegiado de ator e testemunha dos fatos. "A Estrada de Wolokolamsk" foi escrita de 1985 a 1987. O Muro de Berlim, construído na madrugada de 13/08/1961, foi derrubado em 9/11/1989. O regime socialista na RDA existiu de 1949 a 1989. Nos quadros “Abertura Russa” e “Floresta” perto de Moscou sucedem-se fatos que ocorreram na Segunda Guerra, em uma unidade militar russa solitária, defendendo Moscou do avanço do Exército Alemão. O espírito de Stalin domina a cena.

Já nos quadros "Duelo" e "Centauros", o regime socialista já implantado em Berlim Oriental no pós guerra demonstra, em sua decadência prematura, a progressiva repressão e a burocracia asfixiante. Utilizando fortes elementos de humor, o quadro "Centauros" transforma em farsa a tragédia burocrática. O quinto quadro, "O Enjeitado", explica, na profunda distância entre um pai e seu filho, a impossibilidade de transferir um legado repressivo à próxima geração. A ruptura entre gerações é o estopim para a implosão do sistema. O muro cai. Um quadro questiona o outro. Finalmente o próprio observador é questionado.

Heiner Müller sugere, ao fim da narrativa, o sentimento de melancolia face ao desaparecimento súbito do empreendimento socialista da República Democrática Alemã (RDA), do qual fora entusiasta e crítico e no qual permanecerá por sua livre escolha. A esperança subsiste até a metade do terceiro quadro, "Duelo", na tentativa de um movimento que pudesse ter evitado o naufrágio. Mas nos quadros seguintes, a RDA perdia peso, perdia legitimação. Tudo se encerra no mero retorno ao regime anterior. O espírito de Stalin que aparece na primeira hora transforma-se, no final, em Deustche Bank.

Segundo Júlio Ribeiro da Silva, diretor do Departamento de Cultura, receber Esther Góes em Matão “é uma honra, porque é uma grande atriz, reconhecida nacionalmente pelo seus trabalhos, tanto na televisão como no teatro. Com certeza, a linguagem teatral ganha muito com Esther Góes como produtora teatral, principalmente por sua larga experiência. Matão será privilegiada por receber tanto ela, como os demais atores, os quais são talentosos", destaca.

Adriana Marangoni explica que será um grande prazer receber um espetáculo desta natureza em nosso município. "Pessoas talentosas e renomadas apresentarão conteúdo de reflexão, que, por meio da linguagem teatral, será possível refletir sobre fatos da II Guerra Mundial e da República Democrática Alemã (RDA), em que o Muro de Berlim foi o ápice da repressão que determinou o seu desaparecimento. Oportunamente, agradecemos o prefeito Edinardo Esquetini pela parceria com a Secretara de Estado da Cultura para proporcionar momentos de interação, entretenimento e cultura para nossa cidade”, pontua.

Esther Goes

Formou-se em 1969 pela Escola de Arte Dramática da Universidade de São Paulo. Em 1990, ganhou inúmeros prêmios pelo filme “Stelinha” onde interpreta uma cantora decadente e alcoólatra. Atuou em várias novelas da TV Globo, SBT e Rede Record e na GNT. Apaixonada por teatro, atualmente dedica-se ao teatro junto com seu filho Ariel Borghi. Está apresentando “A Estrada de Wolokolamsk”, de Heiner Muller, em São Paulo e cidades do interior paulista. Em 2012, dirigiu a peça “A Coleção”, de Harold Pinter, que estreou no Teatro Grande Otelo tendo no elenco Marcos Suchara e Marcelo Szpektor.

No teatro, ela participou de espetáculos como Tarsila, de Maria Adelaide do Amaral, O Abajur Lilás, de Plínio Marcos, O Amante de Madame Vidal, de Verneuil, Santa Joana, de Bernard Shaw, Os Pequenos Burgueses, de Máximo Gorki, O Rei da Vela, de Oswald de Andrade, e Galileu Galilei, de Bertold Brecht e Hair.

Dentre as premiações que venceu estão: prêmio Kikito na categoria de melhor atriz, por Stelinha, no 18º Festival de Gramado; troféu APCA na categoria de melhor atriz, por Stelinha, na Associação Paulista de Críticos de Arte; no Festival de Cinema do SESC 1991, venceu na categoria de melhor atriz, por Stelinha; no IV Rio-Cine, venceu na categoria de melhor atriz coadjuvante, por Eternamente Pagu; e no Prêmio de Qualidade Brasil, venceu na categoria de melhor atriz pela peça teatral Abajur lilás.

 

Espetáculo 'A Estrada de Wolokolomsk ' será dia 31 de outubro na Casa da Cultura

 

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